Vamos a mais de meio do ano, mas é em agosto (quase setembro) que muito do balanço anual se faz. Isto será assim para muitos, mas é especialmente verdade no negócio editorial quando a rentrée está prestes a começar.
Parei alguns minutos a pensar sobre este artigo antes de o começar, e confesso que foi surpreendente listar o que realizámos em 2026. Desde janeiro, publicámos 6 livros:
– Inaugurámos a coleção de Clássicos Assíncronos com o lindíssimo “Três Vidas”.
Este foi um dos primeiros livros que decidi publicar na Vírgula. Nunca imaginei que demorasse quatro anos a concretizar o projeto.
– A Barca publicou três títulos:
“O Inferno que nos Persegue”, um livro empolgante, que quebra padrões e que aguarda adaptação cinematográfica.
“O Vínculo ao Inferno”, que traz para Portugal uma das vozes mais marcantes do terror internacional, já um clássico.
“E do Mar Vieram”, que acrescentou a Raquel Fontão aos nossos autores nacionais.
– O Filipe Heath trouxe o segundo volume do seu Projeto Cluster, “Guapa”. Este livro foi muito bem recebido, merecendo atenção mediática considerável.
– Lançámos uma nova chancela — Kiala — sob a direção de Elga Fontes e inaugurámos os seus lançamentos com “Feminismo na Periferia”. Estamos muito felizes com a receção do projeto.
Seis livros em oito meses. Faltam quatro meses. Temos para lançar nesse tempo mais cinco livros:
– O terceiro volume da coleção de Poesia Gráfica, “Cesário”.
Este projeto sofreu sucessivos atrasos no seu lançamento ao longo do ano. É um livro de produção muito cara, mas temos agora tudo pronto. Estejam atentos.
– A Barca tem dois novos títulos para lançar. O primeiro, “A Casa de Setembro” de Carissa Orlando, sai já no próximo mês. O segundo, “Terráqueos” de Sayaka Murata, traduzido do japonês, promete deixar os leitores de boca aberta e olhos arregalados mesmo antes do Natal.
-O Projeto Cluster inicia um novo ciclo, desta vez com Carlos Silva, e o seu primeiro título, “A Cidade e a Cidade” de China Miéville, está lindíssimo! Podem tê-lo nas mãos já em outubro.
– A Kiala lançará “A Morte de Vivek Oji” de Akwaeke Emezi em novembro e ninguém o vai querer perder (acreditem).
Feitas as contas, serão onze novos títulos num só ano. No final de 2026, teremos mais do que duplicado o nosso catálogo. Quando penso nos números desta forma é um pouco assustador, mas em bom.
Aumentar o número de livros que editamos aumenta o catálogo, e aumenta as vendas (quase conseguimos ganhar o suficiente para as despesas fixas, uma melhoria considerável em relação a 2025). No entanto, cada novo livro significa um investimento considerável. Onze livros são uns bons milhares de euros de investimento (e esse investimento não entra nas nossas contas como despesa fixa). E este facto leva-me a outra reflexão: onde são feitas as nossas vendas.
Somos uma editora independente, pequena, que tem um maior sucesso no contacto direto com o leitor. Ou seja, vendemos em eventos e em pequenos espaços livreiros. Apesar de estarmos representados em muitos eventos literários, estivemos ausentes do maior palco de vendas do país, a Feira do Livro de Lisboa. Nunca saberemos ao certo o que esse espaço poderia ter significado, mas os resultados que temos conseguido em eventos muito menores apontam para uma perda considerável de vendas.
A proposta de representação pelo El Corte Inglés não se concretizou a tempo da Feira do Livro de Lisboa, mas estamos quase a terminar a burocracia que nos permite ter uma relação comercial (só agora!). A boa notícia é que, a concretizar-se, será o El Corte Inglés a primeira grande superfície comercial em que estaremos representados. Inesperado, empolgante, e… uma incógnita, na verdade.
Depois de tanta reflexão, o certo é que 2026 está aqui. Nós também. E vocês, nossos queridos leitores, estão connosco. Venham mais livros!