- Quando é que decidiste que irias escrever terror?
Penso que já foi um bocadinho tarde na minha jornada enquanto autora. Já escrevia contos, sempre com uma linha muito sombria, mas foi após a leitura de um conto de Lovecraft, Herbert West: Reanimador — e admitindo nem ser o meu subgénero preferido do Terror agora — que me apaixonei pela sensação que a leitura me proporcionou. E a partir daí nunca mais consegui parar de escrever dentro do género.
- Que livros sentes que foram fulcrais no teu percurso enquanto escritora?
Sou uma ávida leitora e sempre fui. Leio de tudo, dentro de géneros diferentes, o que acho que contribui imenso para o crescimento da minha voz própria. Efetivamente, tenho vindo a construir-me, ao longo deste percurso, com vários autores, mas posso dizer que os últimos nomes são: Samanta Schweblin, Irene Solà, Virginia Feito, Júlio Cortázar, Max Porter, Shirley Jackson, John Steinbeck, entre muitos mais. Livros como: Distância de Segurança, Victorian Psycho, Lanny, Os Prémios, O Inverno do nosso descontentamento, qualquer título de Shirley Jackson, foram livros que, em algum momento da minha vida, se tornaram muito importantes e referências na minha voz enquanto autora e que espero que continuam a contribuir.
- Escolheste a música Lashio ch’io Pianga de Händel para acompanhar o “E do Mar Vieram”. Como sentes que a música influencia a tua escrita?
Este é o segundo livro que construo à volta de uma música e não será o último. Na verdade, a música influencia-me em tudo na escrita — na estrutura, nos silêncios, no que se é dito e não dito, no que se escreve/lê, mas que se ouve de uma forma muito diferente.
Quando estou a escrever, estou a pensar em formas musicais, como por exemplo: esta imagem tem de se repetir à frente (como temas), agora precisamos de pausas, silêncio, cadências, suspensões… Sinto que construo as minhas histórias seguindo uma forma musical (fugas, sonatas, canções sem palavras), pois são estruturas que já são tão inerentes na minha forma de pensar, que é muito mais intuitivo para mim. Muito mais do que uma estrutura em três ou cinco atos, o que é habitual na escrita.
- Do que é que estás mais orgulhosa no “E do Mar Vieram”?
De o ter escrito numa altura em que sofria de privação do sono. Foi aí que aprendi que escrever uma frase todos os dias resultaria num livro. Persistência e resiliência, sempre. E estou muito orgulhosa do final desta história e de ter sido capaz de esconder um bom segredo durante toda a narrativa.
- O que podemos esperar de ti no futuro? Que projetos estás a desenvolver?
Para já, estou a editar um manuscrito que já escrevi há um ano e a terminar um primeiro rascunho de um outro, ambos de Terror e muito focados em música e personagens completamente desconcertantes, onde boas pessoas fazem muito más escolhas.